Hume em 90 minutos

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1. DADOS DE COPYRIGHT Sobre a obra: A presente obra é disponibilizada pela equipe Le Livros e seus diversos parceiros, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso…
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  • 1. DADOS DE COPYRIGHT Sobre a obra: A presente obra é disponibilizada pela equipe Le Livros e seus diversos parceiros, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. É expressamente proibida e totalmente repudíavel a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo Sobre nós: O Le Livros e seus parceiros, disponibilizam conteúdo de dominio publico e propriedade intelectual de forma totalmente gratuita, por acreditar que o conhecimento e a educação devem ser acessíveis e livres a toda e qualquer pessoa. Você pode encontrar mais obras em nosso site: LeLivros.Info ou em qualquer um dos sites parceiros apresentados neste link. Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível.
  • 2. F I L Ó S O F O S em 90 minutos . . . . . . . por Paul Strathern Aristóteles em 90 minutos Berkeley em 90 minutos Bertrand Russell em 90 minutos Confúcio em 90 minutos Derrida em 90 minutos Descartes em 90 minutos Foucault em 90 minutos Hegel em 90 minutos Heidegger em 90 minutos Hume em 90 minutos Kant em 90 minutos Kierkegaard em 90 minutos Leibniz em 90 minutos Locke em 90 minutos Maquiavel em 90 minutos Marx em 90 minutos Nietzsche em 90 minutos Platão em 90 minutos Rousseau em 90 minutos Santo Agostinho em 90 minutos São Tomás de Aquino em 90 minutos Sartre em 90 minutos Schopenhauer em 90 minutos Sócrates em 90 minutos Spinoza em 90 minutos Wittgenstein em 90 minutos
  • 3. HUME (1711-1776) em 90 minutos Paul Strathern Tradução: Maria Helena Geordane Consultoria: Danilo Marcondes Professor-titular do Deptº de Filosofia, PUC-Rio
  • 4. SUMÁRIO . . . . . . . . . . . Introdução e raízes de suas idéias Vida e obra Posfácio Citações-chave Cronologia de datas significativas da filosofia
  • 5. INTRODUÇÃO E RAÍZES DE SUAS IDÉIAS . . . . . . . . . . . Antes de Hume, os filósofos eram com freqüência acusados de serem ateus. Hume foi o primeiro a admitir isso. Ser considerado ateu não era elogio invejável para os filósofos ou para qualquer outra pessoa. A sociedade tinha uma forma de lidar com esses pensadores não ortodoxos — desde a Grécia antiga (veneno) até a Idade Média (Inquisição). Isso fazia com que os filósofos se esmerassem em convencer a todos (e a eles próprios) de que não eram ateus. O reconhecimento, por parte de Hume, da falência teológica foi tratado como escândalo público — mas as tentativas feitas para dissuadi-lo tiveram como base a argumentação filosófica e não o cadafalso. Isso depõe tanto a favor da tolerância da sociedade britânica do século XVIII quanto de Hume. Se ele quisesse, porém, manter-se coerente com sua filosofia, não poderia ter assumido outra postura. A filosofia vinha de longa data se orientando nesse sentido. Diversos filósofos do mundo antigo — como alguns estóicos e uns poucos cínicos — quase chegaram a esse ponto. Mas Sócrates foi condenado à morte por não respeitar os deuses, e na Roma antiga era muitas vezes impossível não crer em Deus (principalmente quando ele era também imperador). Assim, a fé tornou-se essencial — tanto para aqueles que queriam continuar pensando como para os que queriam apenas continuar. Nos primeiros tempos da era cristã, a filosofia foi inteiramente tragada pela teologia. Platão e Aristóteles transformaram-se na Sagrada Escritura, a filosofia consistindo quase tão- somente de elaborações em torno desses textos consagrados. Seguiram-se elaborações das elaborações e muito trabalho heróico para tornar essas elaborações aceitáveis para o dogma cristão. Desenvolveu-se um ponto de vista colateral, com abuso da lógica, para tentar provar a existência de Deus. Parte dessa atividade era extremamente engenhosa e mesmo criativa. Mas não era original. As suposições básicas eram sempre as mesmas. Essas suposições foram, pela primeira vez, no século XVI, seriamente questionadas por Descartes, hoje considerado o fundador da filosofia moderna. Descartes pôs de lado as velhas hipóteses e apoiou sua filosofia na razão. Mediante um processo de dúvida racional, mostrou que é possível negar tudo — com uma exceção. Não posso duvidar de tudo e, ao mesmo tempo, duvidar que estou pensando. “Penso, logo existo” foi sua celebrada conclusão. Descartes chegou, desse modo, à base sobre a qual construiu a estrutura racional de sua filosofia. Meio século depois, o filósofo britânico John Locke deu um passo adiante com a introdução do empirismo, sustentando que a base da filosofia não residia na razão, mas na experiência. Segundo Locke, tudo o que sabemos é obtido, em última instância, a partir da experiência. Não possuímos idéias inatas — apenas sensações e idéias que logramos alcançar refletindo sobre essas sensações. Parecia que a filosofia tinha atingido seu limite máximo.
  • 6. Não demorou muito, porém, para que alguém levasse esse passo ainda mais adiante. Com a chegada do irlandês Berkeley, a tradição empírica britânica excedeu o limite da sanidade mental. Se nosso conhecimento do mundo se baseia apenas em nossa experiência, como podemos saber que o mundo existe quando não o estamos percebendo? O mundo foi, assim, reduzido a ficção, e a filosofia passou a ser alvo de chacota. Felizmente para o mundo, Berkeley era bispo e homem temente a Deus. Sem dúvida o mundo continuava a existir, mesmo que ninguém o estivesse percebendo. Como podia isso ocorrer? Porque o mundo estava sempre sendo percebido por Deus. Essa prestidigitação filosófica poupou Berkeley de muitos aborrecimentos (e não só com seu arcebispo e sua congregação). O mundo tinha agora um ponto de apoio. Mas essa situação duraria apenas trinta anos, até que Hume entrasse na contenda.
  • 7. VIDA E OBRA . . . . . . . . . . . Hume é o único filósofo cujas idéias permanecem plausíveis até hoje. Os gregos antigos são lidos como literatura nobre, mas sua filosofia se parece a brilhantes contos de fada. O medievalismo de Agostinho e Tomás de Aquino é estranho à sensibilidade moderna. Descartes e os racionalistas fazem-nos pensar que a condição humana não é racional; os primeiros empiristas parecem dogmáticos, incorrigíveis ou absurdos. E os filósofos depois de Hume, em sua maioria, se enquadram em uma das duas últimas categorias. O que acabei de tentar fazer, Hume conseguiu concretizar — ele reduziu a filosofia a ruínas. Conseguiu chegar além do ponto atingido por Berkeley e examinou a situação empírica até chegar à sua conclusão lógica. Negou a existência de tudo — à exceção de nossas próprias percepções reais. Ao fazê-lo, colocou-nos em posição difícil. Trata-se aqui de solipsismo: apenas eu existo e o mundo nada mais é do que parte da minha consciência. Chegamos à jogada final da filosofia: aquela de que é impossível escapar. Xeque-mate. Entendemos então, subitamente, que isso não importa. Não importa o que digam os filósofos, o mundo permanece lá — continuamos a avançar como antes. Como o fez Hume, cuja constituição física de Gargântua e presença de espírito em nada lembrava um confuso solipsista estilo Beckett, pensando sobre si mesmo fragmentariamente. O que Hume expressou foi o status de nosso conhecimento sobre o mundo. Nem o mundo da religião nem o mundo da ciência está certo. Podemos optar por acreditar na religião, se quisermos, mas não o fazemos com base em qualquer evidência exata. E podemos escolher fazer deduções científicas, a fim de impor nossa própria vontade sobre o mundo. Mas nem a religião nem a ciência existem em si mesmas. Ambas são meras reações nossas à experiência, uma de muitas reações possíveis. Hume descendia de uma antiga família escocesa. Sua biografia, escrita por E.C. Mossner, contém uma árvore genealógica que investiga seus antepassados até Home of Home, que morreu em 1424. Depois, os ancestrais do filósofo incluem alguns nomes escoceses desprovidos de qualquer encanto, mas aparentemente ilustres, como Belcher of Tofts, Home of Blackadder e Norvell of Boghall. (Um ramo da família daria origem mais tarde ao mais ridículo primeiro-ministro britânico do pós-guerra.) David Hume nasceu em 24 de abril de 1711 em Edimburgo. Seu pai morreu quando ele tinha três anos. Considerável número de grandes filósofos perdeu os pais em tenra idade, o que deu origem às costumeiras teorias psicológicas, cuja essência é que a ausência da figura paterna cria profunda necessidade de certeza, o que, por sua vez, determina que o órfão crie um sistema abstrato que toma o lugar do pai “subtraído”. Essas teorias psicológicas podem ser brilhantes ao extremo, divertidas e, quem sabe, até ilustrativas (embora não se saiba bem de quê). Em outras palavras, sua semelhança com os filósofos que descrevem é estranha em muitos aspectos — exceto no que diz respeito ao rigor intelectual. Na época em que David Hume surgiu no cenário, o ramo da ilustre árvore de sua família tinha decaído ao ponto de estar vivendo na pequena e gelada propriedade de Ninewells, que ficava a quinze quilômetros a oeste de Berwick-upon-Tweed, perto do vilarejo de Chirnside,
  • 8. na fronteira escocesa. A casa original, onde o filósofo foi criado, não mais existe, mas ao ingênuo turista filosófico é exibida a “gruta do filósofo”, descendo-se a ladeira em direção ao sudeste da casa atual. Diz-se que nessa cavidade úmida, exígua e inóspita Hume meditava quando jovem e na idade madura (quando o espaço interior da gruta pode ter sido um tanto apertado para seu físico avantajado). Se nosso pensamento é afetado pelo que nos cerca, deveríamos esperar que as meditações de Hume nesse caso produzissem uma filosofia um tanto neolítica, com tendências claustrofóbicas — e de fato foi dessa forma que os grandes filósofos alemães dos cem anos seguintes chegaram a considerar a obra de Hume. Era inevitável, uma vez que os alemães tinham por objetivo construir vastos sistemas filosóficos — nada menos que palácios barrocos da metafísica — e não desejavam ocupar a caverna filosófica que Hume lhes havia legado. Infelizmente, a filosofia não deve ser confundida com aspiração arquitetônica. Hume foi criado por seu tio, o pastor local, sucessor do pai do filósofo como proprietário de Ninewells. As condições em Ninewells teriam parecido austeras e obviamente rurais pelos padrões modernos: criados descalços; o piso inferior do edifício abrigando os estábulos de inverno e os galinheiros; uma dieta à base principalmente de farinha de aveia, mingau e repolho (um nutritivo caldo tradicional ou uma repugnante e aguada sopa de repolho, dependendo do gosto). Mais tarde, porém, Hume não se lembraria de haver passado privações na infância, nem na época, nem mais tarde. Foi educado no chalé do professor da escola, junto com as crianças da vila próxima, dentro da igualitária tradição escocesa que por tanto tempo superou a de seus pares ao sul da fronteira. Mais tarde, dos doze aos quinze anos, freqüentou a Universidade de Edimburgo. (Essa admissão precoce em Edimburgo era bastante normal na época.) Depois disso, esperava-se que Hume estudasse direito. Mas ele já se inclinara por outra direção, começando a ler com voracidade sobre ampla gama de assuntos. Somente com extrema relutância dedicou algum tempo ao estudo da advocacia, conflito que continuaria pelos três anos seguintes. Mas, pouco a pouco, as leituras de Hume passaram a se concentrar mais e mais em filosofia, até que um dia “pareceu abrir-se para mim um Novo Cenário do Pensamento”. Suas idéias filosóficas começaram a cristalizar-se e concebeu o projeto de elaborar um sistema. O direito “parecia-me nauseante” então e, finalmente, decidiu desistir completamente. Não foi uma decisão fácil. Significava que ele abria mão da chance de ter uma vida profissional. A longa luta interior travada com essa resolução custou a Hume um alto preço e, em seguida, ele foi acometido por estafa. Retornou a Ninewells, mas sua recuperação era intermitente. Entre crises de depressão, continuava frenético em busca de suas novas idéias. O médico local foi chamado várias vezes e seu diagnóstico dizia que Hume sofria da “Doença dos Sábios”. Receitou um “Curso de Pílulas Amargas e Anti-Histéricas”, aconselhando-o também a tomar “um gole de Clarete todos os dias” e a se exercitar com regularidade em longos passeios a cavalo. Hume tinha sido até então alto e magro: um indivíduo desajeitado, de pernas e braços finos. No entanto, apesar de seu regime de exercícios, começou a ganhar peso. Em seus passeios diários pelos campos cheios de colinas e despojados de vegetação, o cavalo emagrecia enquanto o cavaleiro se expandia — tornando-se pouco a pouco a figura corpulenta
  • 9. que continuaria sendo pelo resto da vida, o que sugere que seus problemas nesse período podem, em parte, ter sido glandulares. A recuperação de Hume foi apenas gradual e pode, de fato, jamais ter sido completa. Certos episódios misteriosos ocorridos mais tarde sugerem uma instabilidade mental recorrente. Hume não pretendia continuar morando com a mãe em Ninewells para sempre. Em 1734, um amigo da família conseguiu-lhe um emprego como escriturário de um agente de navegação em Bristol. Suas razões para aceitar esse emprego foram várias. Sem dúvida, ele precisava do dinheiro. Entendia também que o emprego incluiria viagens ao estrangeiro, o que tocou seu lado aventureiro, além de achar que seria benéfico para sua saúde mental. Há provas claras de que esse fato continuava a preocupá-lo. A caminho de Bristol, passou por Londres, de onde escreveu ao dr. Arbuthnott, destacado médico da época, uma longa carta, em que se esmera em descrever sua doença — embora essa descrição fosse seriamente prejudicada pelo conhecimento limitado e pelos conceitos inadequados de então. Descreve sua enfermidade como “esse Desequilíbrio” e refere-se à sua “Imaginação exaltada”. Diz ele: “Continuamente me fortaleço através de Reflexões sobre a Morte, & Pobreza, & Humilhação, & Dor & todas as outras Calamidades da Vida.” Após descrever os remédios receitados por seu médico, ele passa, sem qualquer seqüência, a algumas observações filosóficas: “Creio ser um fato que a maioria dos Filósofos que partiram antes de nós foram destruídos pela grandeza de seu gênio, & que pouco mais é necessário para que um homem tenha êxito nesse Estudo além de rejeitar todos os Preconceitos, seja pelas suas próprias Opiniões, seja pelas dos outros.” Hume termina fazendo várias perguntas sobre sua doença (“Se posso ter esperança de Recuperação?”), que ele próprio responde (“Certamente você pode”), o que parece ter resolvido sua dificuldade, pois jamais enviou a carta de dez páginas (embora a tenha guardado por toda a vida). Parece ter concluído que o mero fato de escrever era em si uma cura. Ou pelo menos tão próximo de uma cura quanto ele jamais chegaria. Hume se estabeleceu então para trabalhar em Bristol, e descobriu que era muito pouco provável que seu trabalho como escriturário lhe proporcionasse alguma viagem ao estrangeiro. As relações com seu empregador se deterioraram gradativamente e ele finalmente se demitiu. Aos vinte e quatro anos, estava de volta a Ninewells, onde começou a ganhar má fama por suas “maneiras superiores e ímpias”. Herdara nessa época uma pequena renda particular de quarenta libras anuais, que lhe permitia viver sem emprego, de maneira frugal. Começou, então, a registrar suas observações filosóficas, com o objetivo de criar uma nova filosofia que o tornaria famoso. (Ao longo de sua vida, Hume fez pouco segredo de sua meta definitiva: “meu amor pela fama literária, a paixão que me guia”. De fato, seria como figura literária, mais que como filósofo, que Hume iria alcançar fama. Mais tarde, Boswell iria se referir a ele como “o maior escritor britânico” e até hoje ele aparece no catálogo da Biblioteca Britânica como “David Hume, o historiador”.) Depois de alguns meses, Hume decidiu partir para a França. Ali podia viver bem com sua pequena renda particular e, isolado, poderia concentrar-se em sua nova filosofia sem interrupção ou especulações de natureza mais prática. (Em Ninewells, sempre havia a mãe e seu tio, nenhum dos dois admirador de filosofia.)
  • 10. Conta-se que Hume saiu de Ninewells apressadamente. Pouco tempo depois de ele ir para a França, uma jovem solteira do local, chamada Agnes, de quem se diz ter tido “ficha suja nesses assuntos”, anunciou que estava grávida. A atitude em relação a esse tipo de coisa na Escócia, na época, era bastante cristã. A pobre e abandonada Agnes foi exibida na igreja, onde o pastor local (tio de Hume) procedeu à denúncia pública costumeira, que terminava com a piedosa esperança de que ela morresse no parto. Como se essa demonstração de compaixão e amor cristão não fosse o bastante, Agnes foi depois arrastada ao Tribunal Superior, onde prontamente recebeu punição mais grave. Isso provavelmente ainda acarretava algum tipo de humilhação — um método de retribuição sempre favorecido em uma sociedade hipócrita. (Dizem que isso se deve ao masoquismo inconsciente: a emoção que se goza do fato de que ainda não pegaram você.) No decurso do interrogatório de Agnes no tribunal, ela finalmente mencionou o pai de seu filho por nascer, referindo-se ao ausente Hume — provavelmente para proteger o pai verdadeiro. De todo modo, foi essa a firme convicção do tribunal. Jamais conheceremos a verdade. A não ser por uma notável exceção, esta é a principal evidência de que dispomos das inclinações sexuais de Hume. Segundo Mossner, “mais tarde, na Itália, na França e na Escócia, ficaria comprovado que ele era um homem de desejos sexuais normais”. Já que não há muito mais registrado sobre esses desejos sexuais normais, pode-se imaginar que tenham sido atendidos por meio da hospitalidade — com criadas entusiasmadas e anfitriãs exigentes. E uma vez que Hume foi uma das poucas figuras literárias da época a não ter sífilis, é pouco provável que essa hospitalidade tenha sido muito freqüente, ou que ele tenha recorrido a prostitutas, então mais baratas do que bolsa de água quente. (Esta última observação pretende ter conotação puramente socioeconômica, sem qualquer insinuação sexual. Essas bolsas de água quente humanas, perseguidas pela doença, teriam, na maioria das vezes, chegado a essa condição após sofrer o mesmo destino de Agnes, vítimas da hipocrisia tão necessária a qualquer sociedade justa de masoquistas camuflados.) Hume foi primeiro morar em Reims; mais tarde, porém, mudou-se para La Flèche, quase com certeza por conta de suas inspiradoras associações com Descartes, que ali fora educado, no colégio jesuíta. Em três anos, Hume concluíra o Tratado sobre a natureza humana , por ele próprio mais tarde rejeitado, por conta do que considerava suas extravagâncias de juventude. Mas ele não repudiou sua filosofia — que compreende quase todas as idéias filosóficas originais pelas quais é hoje lembrado. Bertrand Russell, em sua História da filosofia ocidental, é um dos que opinam que essa obra contém as melhores partes da filosofia de Hume: conquista notável para um homem que ainda não completara trinta anos. N o Tratado sobre a natureza humana, Hume tentou definir os princípios básicos do conhecimento humano. Como sabemos alguma coisa com certeza? Ao tentar responder a essa pergunta, seguiu a tradição empírica, acreditando que todo o nosso conhecimento é, em última análise, baseado na experiência. Na opinião de Hume, a experiência consiste de percepções, das quais existem dois tipos: impressões e idéias. “As percepções que penetram com maior força e violência, podemos chamar de impressões; e, nessa denominação, englobarei todas as nossas sensações, paixões e emoções, à medida que fazem sua primeira aparição na alma.
  • 11. Por idéias, entendo suas pálidas imagens no pensamento e no raciocínio.” E explica: “Toda idéia simples encerra uma impressão simples, semelhante a ela.” Mas também podemos formar idéias c
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